terça-feira, 6 de outubro de 2009

Dez anos com Amália na voz


A 6 de Outubro passam 10 anos desde a morte de Amália Rodrigues. De menina pobre, a cantora nas ruas, a artista em ascensão nas casas de fado, a estrela de cinema, diva angustiada - Amália foi em vida e tem sido depois da morte um porto seguro e um mito para Portugal. Continua a ser a guardiã do fado, de um certo prestígio internacional da cultura portuguesa, e de uma forma de identidade, que o seu admirador António Variações resumiu com "todos nós temos Amália na voz".
Uma carreira tão extensa e diversa que, se olharmos a lista da sua discografia, seguramente encontramos alguma coisa de Amália que ainda não descobrimos. A lista cresce agora com o lançamento do álbum Coração Independente, com 20 temas restaurados das fitas originais e remasterizados (veja página do passatempo Coração Independente).
Partilhe a sua opinião: de que forma vê Amália hoje? Como a recorda? Deixe o seu testemunho na área de comentários no final desta página.


Dez anos foi também o tempo suficiente para que vários jovens fadistas se afirmassem, não a disputar o título de rei ou rainha do fado, mas a reclamarem a dívida, a inspiração, a gratidão, a influência de Amália no seu novo fado. E mesmo vozes que não são estritamente do fado atreveram-se a lançar as suas versões de temas conhecidos de Amália, com resultados tão diferentes como os do projecto Amália Hoje ou Lula Pena, entre outros.

Várias iniciativas assinalam os 10 anos da morte de Amália, recordando a sua vida e a sua música. Aqui ficam algumas:
Passatempo de lançamento do álbum Coração Independente
Exposição "Amália - Coração Independente" (Museu Berardo e Museu da Electricidade)
Exposição «Amália no Mundo - O Mundo de Amália» (Panteão Nacional)
Amália 2009: homenagem no Teatro São Luiz
Exposição "Todas as Amálias", de Leonel Moura (Galeria António Prates
Projecto Amália Hoje
Fonoteca de Lisboa - Há 10 horas com Amália
Iniciativas no Museu do Fado


Outros links:

Na rua de Amália 10 anos depois da morte da fadista (reportagem TSF)
Portugal vai apresentar candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade
Amália no Cinema
Making off do filme Amália (2008)
Quizz do SAPO Spot: conhece bem Amália?
Amália: vida e obra (SAPO Saber)
Site dedicado a Amália
Amália no Portal do Fado
Vídeo: as histórias e pessoas que marcaram 6 de Outubro

Autor: Notícias Sapo
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Uma grande vos e uma grande mulher.

domingo, 20 de setembro de 2009

Alberto Lacerda Completava hoje 81 anos - Poeta Português


Alberto de Lacerda (Ilha de Moçambique, 20 de Setembro de 1928 — Londres, 26 de Agosto de 2007) foi um dos fundadores da revista de poesia Távola Redonda, juntamente com Ruy Cinatti, António Manuel Couto Viana e David Mourão-Ferreira.
O espólio do Poeta encontra-se em Lisboa, na Fundação Mário Soares.



Notícia do falecimento de Alberto Lacerda, no Times
Informações: Abracadabra!
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Oi a todos!
Realmentes temos grandes poetas portugueses, começo por Alberto Lacerda porque esse ele completaria 81 anos.
Beijinhos e fiquem bem.

domingo, 23 de agosto de 2009

Faleceu Morais e Castro

José Armando Tavares de Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939. Actor e encenador, Morais e Castro era também licenciado em Direito pela Universidade de Direito de Lisboa, tendo igualmente exercido a profissão de advogado. Foi também dirigente do Partido Comunista Português (PCP). Morais e Castro, que era casado com a actriz Linda Silva, estreou-se no palco com o Grupo Cénico do Centro 25 da Mocidade Portuguesa quando ainda era estudante do liceu. A sua estreia a nível profissional ocorreu no Teatro do Gerifalto, dirigido por António Manuel Couto Viana, com a peça "A Ilha do Tesouro". Em 1958 estreou-se na televisão intrepretando "O rei veado", de Carlo Gozzi, realizado por Artur Ramos. No Teatro do Gerifalto integrou várias peças como "O fidalgo aprendiz", de Francisco Manuel de Melo, ou "Os velhos não devem namorar", de Afonso Castellau. Em 1960, interpretou juntamente com Laura Alves a peça "Margarida da Rua" e um ano depois estreou-se na encenação, dirigindo "O borrão", de Augusto Sobral, no grupo Cénico de Direito, que no mesmo ano foi premiado no Festival de Teatro de Lyon. Em 1962 integra o elenco do filme "Pássaros de asas cortadas", de Artur Ramos, tendo integrado entre 1961 e 1965 o teatro Moderno de Lisboa. Nessa companhia integrou o elenco de várias peças entre as quais "O tinteiro", de Carlos Muiz, e "Humilhados e Ofendidos", de Dostoievski, onde obteve grande sucesso. Durante a existência do Teatro Moderno de Lisboa, uma companhia fundada sem subsídios e perseguida pela PIDE, contracenou com actores como Carmen Dolores, Armando Cortez, Fernando Gusmão, Armando Caldas, Glicínia Quartin, Paulo Renato, entre outros. Em 1968, com Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes, fundou o Grupo 4, no Teatro Aberto, onde representou vários autores como Peter Weiss, Brecht, Peter Handke e Boris Vian. Com o Grupo 4 encenou no Teatro Aberto "É preciso continuar", de Luiz Francisco Rebello. Em 1985 integra o elenco da comédia "Pouco Barulho", com Nicolau Breyner, passando depois pela Companhia Teatral do Chiado. Aí, ao lado de Mário Viegas, integrou o elenco de "f espera de Godot", de Samuel Beckett. Em 2004, dirigido por Joaquim Benite, interpretou "O fazedor de teatro", de Thomas Bernard, com a Companhia de Teatro de Almada, que lhe valeu a Menção Honrosa Crítica nesse ano. Participou ainda nas décadas de 1980 e 1990 em novelas e séries portuguesas de televisão. Entre 1996 e 1998 popularizou-se ainda na interpretação do professor em "As lições do Tonecas"

Olá a todos! Infelizmente mais uma notícia triste que trago a esse grande blog de artistas, ontem faleceu Morais e Castro, ele era um grande actor e, além disso era portuguès, Morais e Castro, trabalhou no papel de professor nas "Lições Do Tonecos" e esse é um dos meus episodios preferidos. Venho aqui fazer-lhe a minha homenagen e dizer-lhe fique com Deus. Beijinhos a todos e uma boa semana.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Los Angeles, 1984. Um local e um ano que ficam para a história do desporto nacional


Evocação: Passaram 25 anos sobre a medalha de ouro de Carlos Lopes nos jogos de Los Angeles
“O meu feito foi sobre-humano”

Carlos Lopes entrou para a história há 25 anos com a conquista da primeira Medalha de Ouro para Portugal em Jogos Olímpicos. Foi na Maratona dos Jogos de Los Angeles, em 1984, com recorde olímpico – 24 anos com a melhor marca da Maratona, fixada no tempo de 2h00, 09 m e 21s.

Lopes lembrou aquela tarde histórica nos Estados Unidos, já madrugada em Portugal, em declarações ao CM. "O meu feito foi sobre-humano. Já corria muito para aquela época. Ganhei com um recorde olímpico que durou 24 anos e que foi o mais antigo até ser batido em Olimpíadas."

Para quem viu pareceu fácil, tal a naturalidade com que o atleta, então com 37 anos, correu pelas ruas de Los Angeles. Lopes explicou o segredo. "Eu era um excelente atleta, tinha mentalidade forte e classe, mas treinava muito. Fiz 12 mil quilómetros a treinar nesse ano e uma média de 36 quilómetros por dia. Era funcionário de um banco e quando não era dispensado do meu trabalho acordava às 06h00 para ir treinar. Fazia-o de manhã, depois à tarde e trabalhava entre as 13h00 e as 17h00 [no Fonsecas e Burnay]."

Para Carlos Lopes, a vitória em Los Angeles é fácil de definir: "Foi um momento único na história do desporto nacional", disse o ex-atleta, apontando a persistência, o sacrifício e a mentalidade como chaves do seu sucesso. "Fiz tudo de maneira perfeita. Nos Jogos Olímpicos, sabia que a minha preparação me iria levar à medalha de ouro.Parti para a corrida com essa convicção ", concluiu o maratonista.

Apontamentos

Sem Cassete

Lopes lamentou não ter a cassete com a prova nos Jogos. "Acho incrível. Gostava de ver, mas não tenho as imagens", registou.

Acidente

Lopes foi vítima de um acidente quando treinava – foi atropelado – 15 dias antes dos Jogos. Ficou combalido mas recuperou rapidamente.

Veterano

Lopes ganhou a Medalha de Ouro já com 37 anos e perto do final de carreira marcada por muitas vitórias nas pistas e no corta-mato.

Depoimentos

"Andava eu a tocar nas ruas e no Metro" (Jorge Palma, Músico)

"Em 1984, andava eu entre Paris e Lisboa, à boleia, a tocar nas ruas e no metro quando soube da vitória extraordinária do Carlos Lopes. Claro que se sente um certo nacionalismo saudável. Temos sempre orgulho em Portugal nestas alturas!"

"Estava Certamente a ver e a torcer por ele" (Mário Zambujal, Escritor)

"Não sei onde estava nesse dia mas, certamente, frente a um televisor a torcer por ele e pela vitória que, sendo dele, foi também de todos nós. Somos uma raça gregária que se entristece e se alegra com os nossos."

"Não sei se Sofreu mais do que eu" (José Lello, Dirigente do PS)

"Lembro-me que fiquei acordado para ver e com uma grande angústia, depois de ter sido espoliado nas Olimpíadas anteriores. Foi uma grande alegria. Tenho dúvidas de que tenha sofrido mais do eu."


Autor: Nuno Miguel Simas
Jornal: Correio Da Manhã

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Olá a todos!
Hoje vim homenagear um grande português e lutador que é o nosso Carlos Lopes, ele que muitas medalhas ganhou por nós e, lutou ao longo de cada corrida para nos oferecer as medalhas ao nosso pais, que é Portugal e, VIVAAAA PORTUGAL!!!
Beijinhos e fiquem bem.

sábado, 8 de agosto de 2009

Raul Solnado Faleceu


Actor faleceu devido a problemas cardio-vasculares a dois meses de completar 80 anos.

Faleceu esta manhã (10h50) o actor Raul Solnado, avança a SIC Online. O humorista estava internado no Hospital Santa Maria (em Lisboa) e sucumbiu à doença cardio-vascular que o atormentava, a dois meses apenas de completar 80 anos.

Solnado começou a sua carreira, como actor amador, na Sociedade Guilherme Cossul em 1947, e profissionalizou-se na década de 50. No final dos anos 60 ficou na memória televisiva nacional ao apresentar, juntamente com Fialho Gouveia (também já falecido) e Carlos Cruz, os programas ZipZip e A Visita da Cornélia .

Além de actor e apresentador, Solnado esteve também ligado ao Teatro Villaret (em Lisboa), do qual foi director, e à Casa do Artista, instituição de apoio aos artistas reformados, que também dirigiu.
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Do seu sorriso nunca esquecerei, Raul Solnado, fica com Deus.
Beijinhos a todos.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Amália Rodrigues Faz Hoje 40 Anos De Carreiro


A popularidade de Amália enquanto cantora nascera das suas actuações em casas de fado, mas também das suas presenças no teatro musicado popular (revista ou opereta), onde aliás criara alguns dos seus maiores sucessos. Num meio cultural e musical razoavelmente pequeno, seria uma questão de tempo até o cinema se interessar por esta voz que arrastava multidões. Tudo começaria por uma falsa partida: António Lopes Ribeiro convida Amália para entrar em "O Pátio das Cantigas" (1941). "Chumbada" pelo maquilhador do filme - conforme Pavão dos Santos cita na sua biografia da cantora - só em 1946 surgirá uma nova oportunidade.
Ao lado de Alberto Ribeiro, galã da canção popular dos anos 40, Amália surge no melodrama de Armando de Miranda "Capas Negras" que, à sua estreia em Maio de 1947, bate todos os recordes de bilheteira da altura, com cinco meses consecutivos em cartaz.
"Fado: História D'Uma Cantadeira" - o pretexto de todo este dossier, e que se aborda mais em profundidade aqui ao lado - é o filme seguinte na carreira de Amália, outro triunfo comercial do qual a actriz-cantora não gostava especialmente, sobretudo devido àquilo que considerava o artificialismo dos diálogos e situações, alegadamente inspirados na sua própria vida (o que não passou de uma manobra publicitária).
Logo nestes filmes se cristalizou a Amália-actriz como uma vedeta à volta da qual se montavam os filmes, escolhida não pelo seu talento de actriz (que, aliás, os guiões nem sequer exploravam) mas pela sua popularidade e pelo seu valor de bilheteira. Essa imagem é confirmada pelas suas presenças em "Sangue Toureiro" (1958), de Augusto Fraga, e "Fado Corrido" (1964), de Jorge Brum do Canto - filmes dos quais a própria Amália tinha má impressão e que fez em parte por amizade pelos realizadores, embora considerasse que em "Fado Corrido" conseguira criar "uma presença completamente diferente de mim" - e "Os Amantes do Tejo" (1955), de Henri Verneuil, parcialmente rodado em Lisboa. O filme de Verneuil dava a Amália um papel secundário razoavelmente importante, mas a sua escolha por parte dos produtores franceses ficara a dever-se essencialmente aos seus dotes vocais e à sua crescente popularidade internacional.
As "anomalias" neste retrato de uma Amália-actriz limitada pelos papéis que lhe eram oferecidos são duas, ambas estrondosos insucessos comerciais. A primeira é "Vendaval Maravilhoso" (1949), ambiciosa co-produção luso-brasileira dirigida por Leitão de Barros onde se traçava o retrato de Castro Alves, poeta brasileiro dedicado à abolição da escravatura. Vedeta incontornável em ambos os países, Amália já não era aqui uma variação sobre a sua própria imagem pública mas uma figura histórica, Eugénia da Câmara, "modificada" o suficiente para lhe permitir criar o "Fado Eugénia da Câmara" que se tornaria num dos seus clássicos deste período. Mas o filme (invisível hoje por se ter perdido o negativo original, existindo apenas uma cópia de imagem) é um monumental fracasso que levaria Leitão de Barros a abandonar o cinema.
A segunda é o "adeus" de Amália ao cinema, já que depois de "As Ilhas Encantadas" (1965) não voltaria a filmar. Adaptando uma novela de Herman Melville, o filme de Carlos Vilardebó encaixaria hoje na definição de "arte e ensaio", mas na altura foi um insucesso de bilheteira, defrontando a perplexidade de um público que esperava reencontrar nele a Amália de todos os dias e descobria antes uma actriz dando corpo a uma personagem. Ironicamente, este filme valeria a Amália o Prémio do Secretariado Nacional de Informação (estrutura de propaganda do regime salazarista) para Melhor Actriz, prémio que a cantora bisava vinte anos depois de "Fado - História duma Cantadeira"?
Amália participou ainda como convidada especial em "Sol e Touros" (1949), de José Buchs, para interpretar no ecrã o "Fado do Silêncio", e teve vários outros projectos cinematográficos que ficaram por concretizar. Alguns deles acabariam por ir para a frente com outras actrizes no papel destinado originalmente a Amália ("Eram Duzentos Irmãos" ou "Les Lavandiéres du Portugal") enquanto outros nunca passaram da intenção (a adaptação de "Bodas de Sangue", de Garcia Lorca, que Anthony Quinn desejava produzir propositadamente para Amália, gorada por questões de direitos).

A nossa rainha do fado não foi e nem chegará a ser esquecida, mas é mesmo nunca.
Beijinhos e um bom fim de semana a todos.